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ViseuenseEDIÇÃO 1
Icoaraci in Revista • Edição 1
Icoaraci in revista
Uma revista feita para contar nossas histórias
Icoaraci não é apenas um lugar no mapa de Belém. É uma cidade viva dentro da cidade, formada por ruas que guardam lembranças, famílias que atravessam gerações, trabalhadores que começam cedo e artistas que transformam barro, música e movimento em identida
Edição nª 01
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Icoaraci in Revista • Edição 1
Editorial
Nesta edição
Conheça os lugares, personagens e tradições que ajudam a explicar por que Icoaraci ocupa um espaço tão especial na história e no coração de sua gente.
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Icoaraci in Revista • Edição 1
Materia
Icoaraci: das primeiras ruas à Vila Sorriso
Da antiga Vila de São João do Pinheiro ao movimentado distrito de hoje, uma história construída entre rios, trilhos e gerações.
Da antiga Vila de São João do Pinheiro ao movimentado distrito de hoje, uma história construída entre rios, trilhos e gerações.

Muito antes de ser conhecida pelo nome atual, Icoaraci foi chamada de Fazenda Pinheiro, Santa Isabel do Pinheiro e Vila de São João do Pinheiro. O núcleo urbano cresceu diante da Baía do Guajará, numa região marcada pela presença dos rios e pelas atividades desenvolvidas nas antigas fazendas e olarias.

Em 1869, a localidade foi transformada em povoado e começaram a ser abertas as sete ruas paralelas à baía. Até hoje os moradores preservam no cotidiano a forma simples e afetiva de identificá-las: Primeira Rua, Segunda Rua, Terceira Rua e assim sucessivamente até a Sétima Rua.

No final do século XIX, a Vila do Pinheiro passou a receber famílias de Belém que construíram casas de veraneio no local. A ligação se fortaleceu em 1906, com a inauguração da Estação Pinheiro, ponto final do ramal ferroviário que conectava a região ao centro da capital.

Com o passar dos anos, a antiga vila cresceu, recebeu novos bairros, comércio, escolas e serviços. O nome Icoaraci, de origem indígena, costuma ser associado a expressões como “sol do rio”, “águas ensolaradas” e “mãe de todas as águas”. O distrito também ganhou o apelido carinhoso de Vila Sorriso.

Hoje, Icoaraci é um dos oito distritos administrativos de Belém. Embora integrada à capital, conserva uma identidade própria, percebida nas ruas, na maneira de falar, nas festas, na produção ceramista e na relação profunda de seus moradores com as águas.

Fontes: História geral de Icoaraci e estudo sobre o distrito e sua formação urbana.
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Paracuri: mãos que transformam barro em identidade
Nas olarias do Paracuri, conhecimento, paciência e criatividade mantêm viva uma das maiores expressões culturais de Icoaraci.
Nas olarias do Paracuri, conhecimento, paciência e criatividade mantêm viva uma das maiores expressões culturais de Icoaraci.
Antes de ganhar forma, cada peça é apenas barro. Nas mãos dos ceramistas do Paracuri, porém, a matéria retirada da terra se transforma em vasos, pratos, panelas, esculturas e objetos decorativos carregados de história.
O bairro concentra um dos mais importantes polos ceramistas da Amazônia. Suas olarias preservam técnicas transmitidas entre gerações e produzem peças inspiradas principalmente nos grafismos das culturas marajoara e tapajônica.
O trabalho exige várias etapas. A argila precisa ser preparada, modelada e deixada para secar. Depois, a peça passa pela queima, recebe acabamento e pintura. Qualquer descuido pode comprometer dias de trabalho. Por isso, cada objeto carrega não somente beleza, mas também tempo, conhecimento e dedicação.
Entre as oficinas históricas está a Olaria do Espanhol, fundada no início do século XX. Sua trajetória demonstra como o ofício ceramista se incorporou à vida das famílias do Paracuri e se tornou fonte de renda e identidade comunitária.
Valorizar essa produção significa reconhecer seus mestres, estimular a formação de novos artesãos e criar oportunidades para que a cerâmica de Icoaraci alcance novos mercados sem perder sua origem.
A tradição ceramista local foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Pará, reforçando seu valor para a memória e a identidade amazônica. Brasil de Fato
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Estação Cultural: os trilhos da nossa memória
O prédio que recebeu passageiros e mercadorias agora abre suas portas para a cultura e a economia criativa.
O prédio que recebeu passageiros e mercadorias agora abre suas portas para a cultura e a economia criativa.

Em 1906, a chegada da ferrovia mudou a rotina da então Vila do Pinheiro. A estação tornou mais rápido o deslocamento até Belém e ajudou a intensificar o movimento de moradores, visitantes e mercadorias.

O trem transportava mais do que passageiros. Levava sonhos, notícias, produtos e histórias familiares. Para muita gente, o apito da locomotiva era o anúncio de chegadas, despedidas e reencontros.

O ramal deixou de operar na década de 1960, mas o edifício permaneceu como testemunho daquele período. Após passar por diferentes utilizações, o prédio foi restaurado e transformado na Estação Cultural de Icoaraci.

Atualmente, o espaço recebe exposições, apresentações, feiras, oficinas e atividades ligadas à economia criativa. A antiga plataforma, que antes servia aos viajantes, passou a receber artistas, artesãos e visitantes.

Preservar a Estação é manter aberta uma passagem entre o passado e o presente. Cada parede recuperada ajuda a contar como Icoaraci se conectou a Belém e como a memória pode ganhar novas funções sem desaparecer.

A Estação Cultural completou seu primeiro ano como espaço de promoção da cultura e da economia criativa em 2021. Agência Pará
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Avertano Rocha: um chalé dedicado à leitura
Um dos prédios mais bonitos de Icoaraci guarda livros, arquitetura e parte importante da memória local.
Um dos prédios mais bonitos de Icoaraci guarda livros, arquitetura e parte importante da memória local.

Na Rua Manoel Barata está uma construção que parece saída de outro tempo. O Chalé Tavares Cardoso, com suas escadarias, varandas e detalhes de madeira, abriga a Biblioteca Pública Municipal Avertano Rocha.

O imóvel foi construído durante o período da borracha e é associado ao livreiro português Eduardo Tavares Cardoso, proprietário da antiga Livraria Universal. A partir de 1972, o espaço passou a sediar a biblioteca pública de Icoaraci.

Depois de enfrentar problemas estruturais e um longo período de espera, o chalé foi restaurado e devolvido à população em 2018. O projeto preservou características arquitetônicas e acrescentou recursos de acessibilidade e novos ambientes.

Mais que um lugar para guardar livros, a Avertano Rocha funciona como espaço de encontro. Oficinas, rodas de conversa, sessões de cinema, exposições e atividades infantis aproximam a biblioteca da comunidade.

Entrar naquele chalé é perceber que leitura e patrimônio caminham juntos. Preservar a biblioteca significa cuidar simultaneamente da história do prédio e do direito das novas gerações ao conhecimento.

Fonte: Restauração do Chalé Tavares Cardoso
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Icoaraci in Revista • Edição 1
Contracapa
Eu sou de Icoaraci
Sou de um lugar onde o sol se encontra com o rio.
Sou de um lugar onde o sol se encontra com o rio.
Onde o barro ganha formas, cores e histórias nas mãos de nossos artesãos.
Onde o som do curimbó nos lembra que o carimbó não morreu.
Sou das ruas numeradas, das feiras movimentadas, das embarcações que chegam e partem, das conversas na calçada e dos fins de tarde na orla.
Sou de uma cidade feita de trabalho, fé, arte, memória e esperança.
Sou de Icoaraci.
Sou da Vila Sorriso.
E esta história também é minha.
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**ICOARACI IN REVISTA**
**Edição nº 01 — 1º de setembro de 2026**

**Idealização, edição e redação:** Arlindo Reis
**Pesquisa e produção editorial:** Arlindo Reis
**Imagens:** recriadas e aprimoradas com recursos de inteligência artificial, a partir de referências visuais de Icoaraci.
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