As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um impasse sobre a abertura de sigilos dos candidatos durante uma passagem pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. Embora tenham indicado a existência de um acordo para disponibilizar os dados, as duas equipes apresentaram condições para efetivar a medida, prevista para ocorrer a três dias das eleições.O encontro aconteceu nesta quinta-feira (22), na sala de protocolo de petições do TSE, sem a realização de uma reunião formal. A campanha de Lula apresentou um termo para que os dados fossem disponibilizados no sistema DivulgaCand até as 23h59 do mesmo dia.A equipe jurídica de Flávio, porém, condicionou a liberação dos dados do senador à confirmação de que o presidente havia cumprido todas as exigências previstas no acordo.Campanhas divergem sobre alcance do acordoA advogada Maria Cláudia Bucchianeri, representante da campanha de Flávio, afirmou que a abertura dos sigilos do senador poderia ocorrer imediatamente após a conferência da documentação apresentada por Lula.“Se a gente confirmar que tudo que ele [Lula] se comprometeu ele trouxe, será imediato”, declarou.Do lado petista, a equipe afirmou que as condições impostas por Flávio haviam sido aceitas. Entre elas, estão a extensão da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula ao Instituto Lula, ao assessor de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e a informações relacionadas ao cartão corporativo da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.A campanha de Lula também questionou o alcance do acordo, alegando que Flávio teria excluído da negociação a quebra de sigilo de uma empresa da qual é sócio do advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador e investigado pela Polícia Federal.Deltan Dallagnol ficará responsável pela análiseA conferência da documentação apresentada por Lula ficará a cargo do ex-procurador da Operação Lava Jato e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), segundo informações divulgadas pela equipe de Flávio.Durante entrevista coletiva em Brasília, Dallagnol afirmou que pretende examinar os documentos e fez referência à atuação anterior em investigações envolvendo o petista.“Vou analisar os documentos da mesma forma que eu fiz no passado, e a última vez que eu fiz isso, o Lula foi parar na cadeia”, declarou.Em nota, a campanha de Flávio justificou a escolha de Dallagnol pela experiência dele na análise de movimentações financeiras investigadas pela Lava Jato. A equipe afirmou que o ex-procurador vai examinar extratos e relatórios em busca de possíveis inconsistências.O grupo também defendeu que a abertura dos dados não seja considerada prova de irregularidade antes de uma análise detalhada. Segundo a campanha, a documentação deve ser examinada com rigor e independência.Debate presidencial deu início à discussãoA discussão sobre a abertura dos sigilos bancário e telefônico começou durante o debate da Band, realizado no domingo (18/10). Na ocasião, Flávio acusou Lula de ladrão, e o presidente afirmou que aceitaria abrir seus sigilos para demonstrar a origem lícita de seu patrimônio. Lula também mencionou suspeitas de corrupção envolvendo o senador do PL.Com o impasse no TSE, a efetivação do acordo passou a depender da conferência dos documentos e da interpretação das condições estabelecidas pelas duas campanhas.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/politica/966272/campanhas-de-lula-e-flavio-divergem-sobre-quebra-de-sigilos




