Um franqueador de sorveterias do interior de São Paulo viralizou ao declarar publicamente que não fará mais doações de cestas básicas porque "está cansado de cidadãos que dependem de programas sociais do Governo Federal". Contudo, documentos apontam que o próprio empresário recebeu quatro parcelas do auxílio emergencial criado durante a pandemia de COVID-19, que totalizam R$ 2.400 em depósitos públicos.Leia também:Eleitor de Lula ganha Porsche de R$ 1,5 milhão após aposta em AlagoasApoiador de Flávio caminha de calcinha após aposta em SantarémAdriano Reis, proprietário de uma rede de sorveterias com 118 unidades espalhadas pelo Brasil, fez a declaração nas redes sociais e viralizou desde o último domingo, quando a apuração das eleições foi finalizada.As regras do benefício que ele recebeuO auxílio emergencial estabelecia critérios objetivos para concessão. Os requisitos eram os seguintes:Renda per capita familiar de até meio salário mínimo, equivalente a R$ 522,50 em 2020;Ausência de vínculo empregatício formal ativo;Enquadramento nas faixas de vulnerabilidade socioeconômica previstas em lei.O perfil público da corporação de sorvetes, porém, registra que a marca foi criada em 2014. Portanto, a companhia já existia quando Reis recebeu o benefício. Cada loja franqueada da rede deve faturar entre R$ 30 mil e R$ 45 mil por mês, conforme dados da própria organização.O modelo de negócios da redeA estrutura financeira da companhia revela um volume considerável de receita. Veja os números do modelo de franquia:Taxa de licenciamento inicial: R$ 4.970 por franqueado;Royalties mensais fixos: R$ 199,00 por unidade durante toda a vigência do contrato;Reajuste dos royalties: apenas na renovação do acordo.Com 118 unidades ativas, a arrecadação mensal de royalties da matriz pode chegar a R$ 23.482. O valor de entrada pago por cada novo franqueado também representa receita direta para o negócio central.Patrimônio exposto nas redes sociaisNo início de 2026, Reis publicou imagens em que aparece ao lado da família em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Na mesma publicação, o empresário revelou a compra do segundo veículo da marca BMW. O conteúdo permaneceu disponível nas redes sociais mesmo após a repercussão das denúncias sobre o recebimento do auxílio emergencial.
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Contexto do auxílio emergencialO programa federal foi criado em 2020 para amparar trabalhadores informais e pequenos empreendedores prejudicados pelas restrições sanitárias da pandemia de COVID-19.Quer receber mais notícias do Brasil e do mundo? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!O benefício foi pago com recursos do erário público e chegou a mais de 67 milhões de brasileiros. A legislação vedava o recebimento por pessoas com renda ou vínculo formal incompatíveis com os critérios de vulnerabilidade social.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/966734/empresario-que-cancelou-doacoes-por-politica-recebeu-beneficio-na-pandemia




