A busca por uma oportunidade no mercado de trabalho tem ganhado novos desafios com o avanço da tecnologia. Em muitos processos seletivos, o primeiro contato entre o candidato e a empresa já não acontece diretamente com um recrutador, mas por meio de plataformas que utilizam inteligência artificial (IA) para analisar currículos e identificar profissionais que atendam aos requisitos das vagas.Nesse cenário, saber organizar as informações profissionais, destacar experiências relevantes e apresentar objetivos de carreira com clareza pode fazer a diferença na seleção. Além da análise dos currículos, algumas empresas também solicitam vídeos curtos de apresentação, nos quais os candidatos precisam resumir suas qualificações e demonstrar seus interesses profissionais.Segundo Ana Luiza Melo, psicóloga com 13 anos de atuação na área de Recursos Humanos e experiência em recrutamento e seleção, a inteligência artificial funciona, principalmente, como uma ferramenta de pré-triagem. As plataformas são configuradas pelos recrutadores para identificar características consideradas essenciais para cada oportunidade.


Como a inteligência artificial seleciona os currículos?De acordo com a especialista, antes da divulgação de uma vaga, o recrutador pode inserir na plataforma os requisitos necessários para a contratação, como formação acadêmica, experiência profissional e localização do candidato.“Quando as pessoas forem se candidatando, a plataforma já vai eliminando quem não tem aqueles requisitos básicos que a gente insere ali”, explica Ana Luiza.Como exemplo, a psicóloga cita uma seleção para técnico de enfermagem em Belém. Nesse caso, o recrutador pode estabelecer como critérios a formação técnica na área, experiência em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e residência na capital paraense ou nas proximidades.A partir dessas informações, o sistema realiza uma primeira filtragem e identifica os candidatos que correspondem ao perfil solicitado. Os currículos selecionados seguem para a avaliação dos profissionais de RH.A especialista ressalta, no entanto, que a inteligência artificial não substitui completamente o trabalho humano. Após a triagem, os recrutadores conferem as informações apresentadas, avaliam as experiências profissionais e verificam outros aspectos, como a expectativa salarial.“A inteligência artificial serve como uma pré-triagem, uma primeira triagem, mas quem vai bater os olhos no currículo, ler e ver se realmente aquilo está condizente com o que a pessoa se inscreveu somos nós, recrutadores”, afirma.Vídeos de apresentação: o que falar em até um minuto?Além dos currículos, algumas seleções solicitam vídeos de apresentação com duração de até um minuto. Para Ana Luiza, o principal desafio é conseguir transmitir as informações mais importantes de maneira objetiva, sem tentar resumir toda a trajetória profissional em poucos segundos.A recomendação é apresentar brevemente o nome, a área de atuação, o tempo de experiência, as principais competências e o objetivo profissional.“Você precisa falar de forma objetiva. Mesmo que isso passe, sei lá, 20 segundos, se não for uma grande exigência do cargo ali, da inscrição na vaga, não tem problema”, orienta.A psicóloga destaca que o candidato deve aproveitar o tempo para mostrar o que sabe fazer e qual tipo de oportunidade está buscando. Uma pessoa interessada em uma vaga na área de Recursos Humanos, por exemplo, pode mencionar experiências com recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento ou outras atividades relacionadas à função pretendida.Mais do que falar sobre todas as experiências acumuladas, o importante é selecionar aquelas que têm relação direta com a vaga. Vídeos muito longos ou com informações excessivas podem dificultar a compreensão da apresentação.Erros no currículo podem prejudicar a seleçãoNa hora de preparar o currículo, a falta de objetividade está entre os erros que merecem atenção. Segundo Ana Luiza, textos muito extensos, com descrições detalhadas e informações pouco organizadas, podem dificultar a identificação das qualificações do candidato pelas ferramentas de inteligência artificial.“Escrever de forma muito discursiva, muito cheia de detalhes, as suas experiências e o seu objetivo vai fazer com que a IA tenha dificuldades em entender o que de fato você está buscando”, alerta.Quer saber mais notícias do Pará? Acesse nosso canal no WhatsApp Outro problema é o uso excessivo de abreviações. A orientação é escrever os termos por extenso, sempre que possível, e utilizar palavras-chave relacionadas à área de atuação e aos requisitos da vaga.A especialista recomenda que as informações sejam apresentadas de maneira clara, direta e organizada, destacando a formação, as experiências profissionais e os objetivos de carreira.Com a presença cada vez maior da tecnologia nos processos seletivos, preparar um bom currículo continua sendo fundamental. A inteligência artificial pode facilitar a identificação de candidatos com o perfil desejado, mas a clareza das informações e a capacidade de demonstrar as próprias qualificações seguem sendo pontos importantes para conquistar uma oportunidade.

Fonte original: http://dol.com.br/noticias/brasil/966966/ia-no-rh-como-empresas-filtram-curriculos-e-avaliam-candidatos