Partes do telescópio espacial Neil Gehrels Swift Observatory, da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (Nasa), podem cair em território brasileiro nas próximas semanas. Após 22 anos de atividades, o observatório encerrou sua missão e está em processo de reentrada na atmosfera terrestre. Embora o Brasil esteja dentro da faixa de possíveis trajetórias do equipamento, ainda não há confirmação de que os destroços atingirão o país.O observatório percorre uma órbita inclinada em aproximadamente 20,6 graus em relação à Linha do Equador. Essa faixa orbital abrange parte do território brasileiro, o que faz com que uma eventual queda de fragmentos no país seja considerada possível pela Nasa.CONTEÚDOS RELACIONADOSNasa lançará telescópio Nancy Grace Roman com visão ampliada do UniversoVídeo: telescópio registra buraco negro flutuante no espaçoSuposta 'cidade' em Marte atrai atenção, mas NASA descobre geologiaEntretanto, a agência espacial norte-americana ainda não consegue determinar a data, o horário ou o local exato da reentrada. As incertezas também impedem uma previsão sobre quais regiões poderão ser atingidas pelos possíveis destroços.“É importante separar possibilidade de previsão. O Brasil não pode ser descartado simplesmente por estar parcialmente dentro da faixa orbital do Swift, mas hoje não existe qualquer dado que permita afirmar que os destroços cairão no país”, explica o professor doutor Marcos Calil, responsável pelo Setor de Observatório da Urânia Planetário.Por que não é possível prever onde o telescópio vai cair?Segundo a Nasa, diferentes fatores podem interferir na trajetória do observatório durante a reentrada na atmosfera. Pequenas variações na densidade atmosférica, mudanças na atividade solar e até alterações no comportamento da própria espaçonave podem modificar o momento e o local em que os fragmentos atingirão a Terra.Essas condições tornam difícil calcular antecipadamente o ponto exato da queda. Por isso, embora o Brasil esteja dentro da faixa orbital do equipamento, não é possível afirmar que alguma parte do telescópio chegará ao território nacional.A última observação científica do Swift ocorreu em 20 de outubro. Na ocasião, o equipamento estava a aproximadamente 275 quilômetros de altitude, e o aumento do arrasto atmosférico já dificultava a manutenção de sua orientação.Telescópio da Nasa encerrou missão após 22 anosO Neil Gehrels Swift Observatory foi lançado em novembro de 2004, com uma missão inicialmente planejada para durar apenas dois anos. No entanto, o telescópio espacial permaneceu em operação por aproximadamente 22 anos, contribuindo para importantes descobertas astronômicas.Durante sua trajetória, o observatório identificou e acompanhou mais de 2 mil explosões de raios gama, fenômenos considerados entre os eventos mais energéticos do Universo.Além disso, o equipamento realizou observações de supernovas, buracos negros, asteroides e cometas, ampliando o conhecimento científico sobre diferentes objetos e fenômenos espaciais.O encerramento da missão marca o fim das atividades de um dos importantes observatórios espaciais da Nasa. Agora, a atenção está voltada para o processo de reentrada na atmosfera terrestre e para o acompanhamento da trajetória dos possíveis fragmentos.

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